sábado, 3 de março de 2012

“SANTIDADE”, UMA DOENÇA EVANGÉLICA.

sant doent final
Um titulo como esse no meio cristão atual, poderia implicar na cassação imediata da minha “carteira de habilitação de bloqueiro cristão” pois trata-se de uma infração gravíssima e agravada "setenta vezes sete" com multa e retenção da santa ceia, mais antes que a inquisição cristã evangélica envie seus juízes para me lançarem na fogueira, ou mesmo antes que alguém em meio a multidão enfurecida faça soar pelo ar o grito de “crucifica-o”, pretendo expor meu ponto de vista que justifica o título empregado a essa postagem, peço a meus carrascos que terminem de ler minha reflexão antes de executarem minha sentença.

Antes entendamos o que é santidade, e para compreendermos melhor tomarei emprestado uma das definições mais belas e eficientes que já vi dada por um dos mais importantes teólogos evangélicos do final do século 20. J. l. Packer leiam: “Em primeiro lugar, consideremos a palavra em si. Santidade é um substantivo que pertence ao adjetivo santo e ao verbo santificar, que basicamente significa tornar santo. Santo, tanto no hebraico, como no grego, significa separado, consagrado e recriado para Deus. Quando aplicada as pessoas, como os “santos de Deus” ou “santos”, a palavra implica em devoção e assimilação: devoção no sentido de viver uma vida de serviço para Deus, assimilação, no sentido de imitar, conformar-se e tornar-se como o Deus a quem se serve. Como cristãos, a implicação é que precisamos assumir a lei moral de Deus como nossa regra e o Filho Encarnado de Deus como nosso modelo.” Esse belo conceito quando vivenciado por nós jamais poderia ser tido como no título dessa postagem, como a santidade poderia ser tão bela e uma doença ao mesmo tempo?

Mais ainda sim, mantenho o que disse no título, e explico o motivo. Quando alguém de fato assume a postura, a essência e pratica sincera do conceito de santidade, esse jamais estaria acometido de nenhuma doença, no entanto, para que o mesmo torne-se um “santo doente” é muito fácil pois ha uma linha muito tênue entre a santidade e a lepra espiritual, e qual seriam esse ponto débil? Onde estaria essa fresta de entrada para contaminação da santidade? Talvez muitos instantânea e automaticamente responderiam: no pecado! Mais não, o pecado não adoece a santidade, ao invés disso ele a destrói por inteiro, como um prédio implodido em poucos segundos é o efeito do pecado na santidade que construímos ao longo do tempo, mais o ponto fraco da santidade ao qual me refiro chama-se moralismo religioso, alguém que tem sua santidade violada pelo vírus sutil do moralismo religioso, diferente de alguém que tem sua santidade demolida por um escândalo de pecado, ainda sim será visto como um santo, pelo menos tecnicamente falando, já um pecador revelado, será visto como transgressor, por tanto, a maior porta de entrada de doença para a santidade não é pecado consumado e revelado mais sim o moralismo religioso, talvez nesse momento você pergunte: Mais ambos não seriam pecado diante de Deus? A resposta é sim! Ambos são pecado diante de Deus mais diante dos homens o moralismo religioso é aplaudido nos púlpitos, eis a diferença.

O “santos doentes”, são aqueles que até começaram um dia assumindo a postura de santidade de maneira correta e sincera, mais que ao passar do tempo foram se deixando mudar pela religião vã, e são perfeitamente definidos nos versículos seguintes:

Se alguém cuida que é religioso, não refreando a sua língua, mas iludindo o seu coração, a sua religião é vã.  Tiago 1:26
 
Sois tão insensatos? tendo começado no Espírito, estais agora vos aperfeiçoando na carne?
Gálatas 3:3


Vemos muitos exemplos assim não é mesmo? E muitas vezes esses exemplos de “santos doentes” podemos ser nós mesmos. A idéia de se estar vivendo em plena santidade começa a ser afetada pelo moralismo religioso quando passamos querer nos comparar aos que achamos serem menos santos que nós, por meio dos erros e deslizes que vamos testemunhado de nossos irmãos, nosso orgulho vai sendo inflado em nosso coração, e assim, ponto a ponto e regra por regra, vamos criando nosso próprio sistema de moral e conduta cristã, com o passar do tempo nosso moralismo pilantra, nos faz esquecer que também somos feitos da mesma carne e osso corruptível das pessoas que julgamos, essa “santidade doente” nos cega a ponto de não mais lembramos que o nosso belo castelo de “santidade” também está sujeito a ser implodido em poucos segundos, tornando-se pó e ruinas, e esses “santos doentes”, são aqueles que mais sofrem quando vêem todo seu sistema moralista em ruinas ao cometerem exatamente tudo aquilo que tanto condenavam.

"Não julguem, e vocês não serão julgados. Não condenem, e não serão condenados. Perdoem, e serão perdoados. Lucas 6:37
 
Minha súplica é para que Deus tire de nós essa santidade evangélica doente e falida, se pararmos para analisar, veremos que os “crentes” no Brasil  são os maiores “moralistas religiosos” que existem, são tantos “não pode isso ou aquilo” criados por nós, não pode vestir isso, não pode ir naquilo, não pode falar isso, não pode escutar aquilo, não pode comer isso, não pode cantar aquilo, não pode beber isso, não pode ver aquilo, não pode respirar isso, não pode sonhar com aquilo, não pode gostar disso, não pode votar naquilo, não pode pensar nisso e tantos outros “não pode” que não param de ser criados por nós, esses “não podes” nos fazem esquecer da essência alicerçada em tolerância, amor e misericórdia do verdadeiro evangelho, não prego nem defendo um evangelho libertino e sem mandamentos, mais creio que basta-nos os reais mandamentos de Deus e que o mesmos não carecem de acréscimos de nossa “santidade doente” nem  de nosso moralismo religioso, nossas bocas, pregações, literaturas e músicas estão sempre cheias de apelos a vivermos em santidade e isso é ótimo, o problema, é que essas mesmas bocas, pregações, literaturas e músicas também são aquelas que condenam, pontam e insistem em se auto proclamarem mais santas devido a seu moralismo religioso onde para algumas somos extremamente firmes e severos e para outras somos absolutamente relapsos.

Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão. (Versão Católica)

Soli Deo Glória

Adão M. Fernandes.

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